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A Lei Do Desejo – Isabela Campos

— Eu sei. Você sabe. Mas a verdade é um luxo de quem tem poder. E agora, nós não temos nada. O silêncio caiu sobre o quarto. A sensação de vitória da noite anterior tinha evaporado, deixando para trás a realidade crua da sobrevivência. Estávamos sem comida fresca, com pouca água e cercadas por um inimigo que tinha a mídia na mão. Luíza veio até mim e abraçou minha cintura por trás, encostando a testa nas minhas costas.
— O que a gente faz, Helena? Olhei para o reflexo embaçado no vidro. Vi uma mulher cansada, encurralada, mas não derrotada. A “Rainha de Gelo” tinha derretido, mas o aço por baixo ainda estava lá. — A gente se prepara para o pior. — Virei-me nos braços dela.
— Se eles vierem… não vai ser para conversar. O Vilela sabe que a perícia vai provar que os documentos são reais. Ele precisa nos eliminar antes que o laudo saia. — Você acha que ele mandaria alguém aqui? Ele não sabe onde estamos. — Ele é esperto. E a minha família tem raízes.
Alguém, em algum cartório velho, pode lembrar que meu avô tinha terras aqui. É uma questão de tempo. E quando eles chegarem… nós não podemos estar indefesas. Soltei-me dela e caminhei decidida para fora do quarto. — Aonde você vai? — Para o escritório do meu pai. De novo. O escritório estava gelado. A poeira que levantamos ontem tinha assentado novamente sobre os móveis, como se a casa tentasse apagar nossa passagem.
Fui direto para a parede atrás da mesa de jacarandá. Havia um painel de madeira escura ali, com frisos decorativos. — O que você está procurando? — Luíza perguntou, parada na porta, observando-me tatear a madeira. — Meu pai era um homem antiquado, Luíza. Ele não confiava em bancos, não confiava na polícia e, definitivamente, não confiava na sorte.
Ele acreditava na “Lei de Talião”. Meus dedos encontraram o que eu procurava: um pequeno nó na madeira, quase imperceptível. Pressionei com força. Um clique suave soou. Uma parte do painel se soltou, revelando um cofre embutido na parede. Um cofre mecânico, antigo, de segredo giratório. — Você sabe a combinação? — Luíza arregalou os olhos. — Eu nunca esqueci. — Girei o disco. Esquerda, direita, esquerda. Os números eram datas. O nascimento da minha mãe. O dia em que compraram a fazenda. E o dia em que ele teve o primeiro infarto.
Tranc. A porta pesada de aço cedeu.
A Lei do Desejo – Copyright © 2026 por Isabela Campos 1ª Edição — 2026 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma ou meio, eletrônico ou mecânico, sem a permissão por escrito da autora. Esta é uma obra de ficção.
Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, ou com eventos reais, é puramente coincidência. NOTA DA AUTORA Muitas vezes, somos ensinados que a Justiça é uma linha reta, fria e imutável. Aprendemos que existe o certo e o errado, o legal e o ilegal, a ordem e o caos. Mas o que acontece quando a única forma de fazer o que é certo exige que você cometa um crime?
A Lei do Desejo não é apenas uma história sobre um esquema de corrupção ou uma fuga alucinante pelo Brasil. É, acima de tudo, uma história sobre duas mulheres que precisaram se perder para se encontrar. De um lado, Helena Alencar: a encarnação da lei, uma mulher que trancou suas emoções em um cofre tão seguro quanto aqueles onde os criminosos escondem seu dinheiro. Do outro, Luíza Campos: a idealista, a jovem que acredita que a paixão pode reescrever sentenças.
Este livro nasceu da vontade de explorar os limites. O limite entre a ética e a sobrevivência. O limite entre a mentira e a ficção. E, principalmente, o limite entre duas pessoas que, pela lógica do mundo, jamais deveriam se tocar, mas que, pela lógica do destino, não conseguem ficar separadas. Você encontrará aqui romance Age Gap (diferença de idade), tensão sexual, perseguição política e uma pitada de metalinguagem — afinal, às vezes, a única maneira de dizer a verdade é inventando uma boa história.
Respire fundo. O julgamento vai começar. Com carinho, Isabela Campos 1kitap1.com/en CAPÍTULO 1 Narrado por Luiza A palavra ecoou pelo tribunal com a finalidade de um tiro no escuro. — Improcedente. Pisquei, certa de que meus ouvidos haviam me traído. O ar condicionado da 4ª Vara Cível de São Paulo estava gelado demais, como sempre, fazendo os pelos do meu braço se eriçarem sob o tecido fino do meu blazer.
Eu tinha revisado aquela peça inicial trinta vezes. Eu tinha a jurisprudência. Eu tinha as provas. Eu tinha a maldita verdade. Mas o Juiz Pacheco nem sequer olhou para mim. Ele fechou a pasta de capa dura com um baque surdo, aquele som de burocracia que esmaga vidas, e começou a juntar suas coisas como se tivesse acabado de pedir um café, e não destruído a única chance de reparação de uma família que perdeu tudo para uma construtora fraudulenta.
— Excelência?
This is a short excerpt from the opening of “” by Unknown, quoted for review and introduction purposes. All rights belong to the copyright holders.
Book Information
- Unique ID: ddb8d75d54ba5ea3
- File Extension: .pdf
- File Size: 1,498,749 bytes (1.429 MB)
- Title: –
- Author: Unknown
- Pages: 292
- Language: Portuguese (pt)
Reading & Word Statistics
- Estimated Reading Time: 366.16 minutes
- Total Words: 73,232
- Total Characters: 415,692
- Average Words per Page: 250.79
- Average Characters per Page: 1423.6
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